Dormia-tes tão bonitinhamente
Que tomei-te como meu
Posto que o eras
Àquela hora, àquele dia
Ninguém te tinha mais que eu
Esteves dentro de mim até a hora da partida
Àquela hora, àquele dia
Tu também me teves
Àquela hora, àquele dia
E eu chorei por ti
Àquela hora, àquele dia
E eu te amei
Àquela hora, àquele dia
1000 vezes mais te amaria
Uma outra hora, um outro dia
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
poesia demolida
canto da parede I
foi no garagem que roubei minha primeira estrela
e nunca mais parei
hoje eu tenho um céu comigo
paraíso ou inferno
nem eu sei
canto da parede II
minha casa nunca foi tão perto
lar doce lar
garagem, minha primeira casa
era lindo amanhecer lá e não acordar
porque a noite havia sido sempre dia
escuro, mas cheio de sóis
enquanto o sol tomava uma cerveja
e esquecia da própria inauguração
canto da parede III
no sofá vintage do garrage
ouvi muitos segredos públicos
vi vc me amando baixinho, dizendo te amo
e escrevendo meu nome na parede
canto da parede IV
no garagem, bom dia era eu te amo
eu te amo era bom dia
e o boa noite nunca foi usado
demodé demais para uma outra noite
descartada em garrafas estrangeiras
num outro lugar que não aqui
canto da parede V
a quinta parede do garagem
aparecia às quatro da manhã
quando todo mundo começava a curtir raul
e a maçã era descomida
por uma gente que mais parecia
estar achada
ali escondida
foi no garagem que roubei minha primeira estrela
e nunca mais parei
hoje eu tenho um céu comigo
paraíso ou inferno
nem eu sei
canto da parede II
minha casa nunca foi tão perto
lar doce lar
garagem, minha primeira casa
era lindo amanhecer lá e não acordar
porque a noite havia sido sempre dia
escuro, mas cheio de sóis
enquanto o sol tomava uma cerveja
e esquecia da própria inauguração
canto da parede III
no sofá vintage do garrage
ouvi muitos segredos públicos
vi vc me amando baixinho, dizendo te amo
e escrevendo meu nome na parede
canto da parede IV
no garagem, bom dia era eu te amo
eu te amo era bom dia
e o boa noite nunca foi usado
demodé demais para uma outra noite
descartada em garrafas estrangeiras
num outro lugar que não aqui
canto da parede V
a quinta parede do garagem
aparecia às quatro da manhã
quando todo mundo começava a curtir raul
e a maçã era descomida
por uma gente que mais parecia
estar achada
ali escondida
sexta-feira, 5 de junho de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
o problema do sofá amarelo
o problema do sofá amarelo é que tem alguém entre nós. esse alguém entre nós cruza e descruza as pernas, demonstrando certa impaciência em estar entre nós. a solução é fácil: levantar e sentar em outro sofá. só que outro sofá amarelo não há e a graça é estar entre nós, suando, achando ruim, atrapalhando uma conversa ao pé do ouvido. é uma sadomasoquia de quinta-feira, que é o dia em que a gente sentou no sofá amarelo, pegou uma cerveja e alguém de salto-agulha ficou entre nós. o sofá tinha três almofadas - amarelas, porque o sofá era amarelo - e a graça era ser a pessoa do meio. nós éramos dois, estávamos juntos, até a pessoa de salto-agulha, que suava, achava tudo chato e ainda por cima era sadomasoquista, sentar bem no meio. o sofá amarelo virou cenário de guerra, uma guerra velada, em que a pessoa que cruzava e descruzava as pernas decretou o silêncio entre nós, que nos amamos tanto. o problema do sofá amarelo era ser amarelo. já o nosso, era ter alguém entre nós. alguém que cruzava e descruzava as pernas, suava, achava tudo chato e parecia repetir a cena de cruzar e descruzar as pernas só para mostrar quão longe eu estava de você, mesmo a uma almofada de distância.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
histórico de um amor cruel número 4
depois do fim, sinto-me forçada a continuar vivendo...
pisando sob cadáveres, fazendo a dança da chuva, distribuindo restos de amor em papel alumínio, chorando, me condoendo, botando um sorriso no rosto, mascarando alguma coisa que eu nao sei explicar, ouvindo funk, querendo mais coisas que tenham a ver comigo.
mais comigo do que a qualquer outra pessoa.
quero ser eu. eu. eu.
para lembrar:
entre as coisas que eu gosto estão a palavra, o sol, esmalte vermelho, a vida lá fora, a vida aqui dentro, a vida onde quer que seja. gosto de papel, de dormir tarde, de cidade grande, de bernardo soares, de café sem açúcar.
ando lendo myrna demais, ouvindo conselhos demais, por exemplo::: me disseram para parar na primeira pergunta ao invés de querer entender o mundo e carregá-lo no bolso. as coisas me inquietam demais e eu sou dada a filosofices. eu respondi que, depois de toda interrogação, sempre vêm os três pontos. as perguntas sem fim, labirintos de minotauros. ai! isso sempre acabou comigo: saber que nada tem um fim. nunca! estar sempre em dúvida, pensando possíveis finais, nunca achando a saída. o problema dos fins é que eles pressupõem novos começos e isso é de dar medo. começos. taí uma palavra que eu não gosto.
pisando sob cadáveres, fazendo a dança da chuva, distribuindo restos de amor em papel alumínio, chorando, me condoendo, botando um sorriso no rosto, mascarando alguma coisa que eu nao sei explicar, ouvindo funk, querendo mais coisas que tenham a ver comigo.
mais comigo do que a qualquer outra pessoa.
quero ser eu. eu. eu.
para lembrar:
entre as coisas que eu gosto estão a palavra, o sol, esmalte vermelho, a vida lá fora, a vida aqui dentro, a vida onde quer que seja. gosto de papel, de dormir tarde, de cidade grande, de bernardo soares, de café sem açúcar.
ando lendo myrna demais, ouvindo conselhos demais, por exemplo::: me disseram para parar na primeira pergunta ao invés de querer entender o mundo e carregá-lo no bolso. as coisas me inquietam demais e eu sou dada a filosofices. eu respondi que, depois de toda interrogação, sempre vêm os três pontos. as perguntas sem fim, labirintos de minotauros. ai! isso sempre acabou comigo: saber que nada tem um fim. nunca! estar sempre em dúvida, pensando possíveis finais, nunca achando a saída. o problema dos fins é que eles pressupõem novos começos e isso é de dar medo. começos. taí uma palavra que eu não gosto.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
histórico de um amor cruel número 3
Nosso amor delicado tinha a crueldade de plantas carnívoras e a existência de tulipas. Escolhemos as tulipas. Tentávamos, em vão, esquecer esse signo Escorpião que está embutido nessas coisas verdes que comem insetos. Até esperanças são devoradas, não importa se são verdes. Eu perguntava a ele, chorando: até as esperanças? Ele: até as esperanças. Eu: o que restará de nós, no fim de tudo? A vingança inesperada de tulipas azuis ou a maldade óbvia das plantas carnívoras? Ele: não restará nada. Eu pensei: Morte súbita do nosso amor? Nem para ter um fim digno. Eu quero, ao fim, destroços. tulipas despedaças, maquiagem borrada e tudo o mais. quero um fim que dói, para justificar os esforços, a traição, um outro fim dele, um outro amor meu. quero tulipas secas, uma luz baixa e nina simone cantando às borboletas. borboletas que nunca seriam pegas pela crueza de uma planta, e nem pelos simbolismos. eu quero um fim borboleta, lagarta, casulo. sem pensar muito, quero voar baixo no jardim e te transformar em gnomo. quero vc perto de mim. ainda que este seja o fim.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
histórico de um amor cruel número 2
falamos de vc enquanto tomávamos um café com chocolate. fumaças minha e dele se misturando, nos unindo pela respiração. alguma chama nos olhares, incerta. as chamas dos cigarros eram mais estáveis, mesmo com uma duração tão curta. todos no café nos olhavam. não era para estarmos juntos. o filme ia começar, mas já tínhamos visto há uns dias atrás. nosso vício era o café, o cigarro e a companhia um do outro. isso maltratava você, a quem julgávamos morta. mas não. retornastes do outro lado querendo vingança. dei minha cara a tapa: o lado direito, o lado esquerdo. doeu um pouco, uma doída gostosa e merecida. ele já não importava. eu não queria paz, queria mesmo era que também ele sofresse. não éramos duas a disputar um amor. eram duas mulheres a brigar. e para nós, brigar, essa histeria toda, era parte dum charme a que esperávamos recompensas. ele acabou me escolhendo, o grande prêmio. fiz por merecer. pra vc agora, que se dói toda, é de novo uma perda. vc perdeu. mas eu ganhei, ganhei duas vezes: um amor novo e uma inimiga. não preciso de mais nada. obrigada, querida.
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